quarta-feira, fevereiro 15, 2006

Calma, que vens pela manhã dentro
infiltrar-te na minha circulação, corredores fora,
sê o caminhar nesta poltrona em que me sento,
torna-me o estontear das ilusões, sorridente,
faz-me sentir que esqueci todo o restante,
remete-me o incompatível para um outro momento.

Que o meu susceptível seja apenas face ao vento,
à brisa suave que chega lá de fora,
filtrado o despentear que incomoda
ao longo do ruído que alerta,
tudo isso, os narizes estampados na porta
enquanto eu sopro calmaria cá dentro.

E que este aroma a nada seja a respiração, bem fundo,
que esta luz de sombrinha clareie o tom de pele suave,
e que as conversas que não tive coexistam
neste ininterrupto burburinho, ténue canto,
a música dos recantos espaçosos.
Que eu me alheie perfume, claridade e harmonia.